Terça-feira, Outubro 11, 2011

A fé que eu vi hoje

A fé é uma coisa muito louca. Hoje, rodando pela Dutra, vi dezenas de pessoas caminhando rumo ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, só para agradecer um pedido realizado.

Elas iam pelo acostamento, embaixo de um sol quentíssimo e sem nenhuma segurança. Saíram de suas casas prontas para percorrer 100, 200 quilômetros a pé: dois ou três dias de trajeto. Mesmo assim, elas sorriam toda vez que eu perguntava se era realmente necessário.

"Quando a gente chega na basílica, a sensação que dá é de vitória", me disse um romeiro.

Cada história bonita de quem já teve todos os motivos para desistir, mas bateu o pé, olhou pro céu e com muita fé teve forças para seguir em frente... 100 ou 200 quilômetros a pé por uma rodovia...

Quarta-feira, Maio 11, 2011

Que fineza

Lembranças vagas da última madrugada. Adoro a sinceridade elegante que surge depois de alguns copos de cerveja.

"Quer dançar?"
"Já tô dançando"

"Nossa como eu não te vi antes. Você é linda"
"Você não me viu antes porque estava perdendo seu tempo com aquela biscate mal vestida"

"Nossa, você dança bem!"
"E você pula bem"

"Então, dá seu telefone?"
"Você tá pedindo porque vai ligar ou por protocolo?"

"Fiquei a noite toda te olhando. Quer uma cerveja?"
"Sei, sei, sei. Vai pagar cerveja para a baranga que você tava pegando. A minha, pago eu."

"Aconteceu alguma coisa?"
"Essa pessoa está me importunando. Tira ele daqui"

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Sábado, Maio 07, 2011

Amizade sincera

Como compôs Renato Teixeira, uma amizade sincera é um santo remédio, um abrigo seguro. Não é isso que estão me oferecendo. Eu não me sinto segura e sei que quando eu precisar, essa "amizade" não vai estar por perto. Portanto, me sinto a vontade para recusar a partir de agora. Sem nenhuma cerimônia.

Vale a pena ver esse vídeo. Renato Teixeira e Dominguinhos - Amizade Sincera



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Quarta-feira, Maio 04, 2011

Uma tarde no estádio

Deixei passar três dias. É que é impossível manter a calma e ser racional depois de ver seu time ser derrotado no estádio. Muito pior ainda quando a derrota é para o Corinthians. O coração aperta, o corpo fica trêmulo, o sangue esquenta. É sempre a maior injustiça do mundo.

No estádio, todo empurrãozinho é falta para cartão. Toda apitada dada pelo juiz em favor do time adversário é injusta.Todo passe errado é inaceitável. Os gols perdidos são desperdícios grotescos. E a bola na rede é sempre incrível.

As alegrias e as tristezas são maiores no estádio. Ficam multiplicadas pelo número de torcedores que vestem a mesma camisa. E é por isso que se grita tanto, que se xinga tanto. Como se os gritos fossem mudar a decisão do juiz e os palavrões fossem chatear alguém.

Eu não preciso dizer que o Palmeiras foi melhor. Todo mundo viu. Mais de 30 mil torcedores foram testemunhas disso no último domingo. Todo mundo já disse que aquele juiz (que palmeirense nem quer lembrar o nome) não deveria estar ali. E que o Corinthians - mesmo com um jogador a mais sofreu para manter o empate e levar para os pênaltis. 

Mas futebol é assim mesmo. Nem sempre tem justiça. Nem sempre o nosso time vence. E torcedor chora, fica puto mesmo. Promete que nunca mais pisa num estádio e no próximo está lá com a camisa do time, gritando e xingando o juiz. No fim de tudo, assistir um jogo futebol no estádio é uma das coisas mais legais do mundo.


A seleção entra em campo

Meus amigos palmeirenses Gui e Rodrigo

Como é lindo ver o estádio todo verdinho

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Domingo, Maio 01, 2011

Noite cubana

Não foi preciso ir tão longe. O ritmo gostoso do Buena Vista Social Club - grupo cubano fundado em 1940 - passou uma noite em São Paulo. Privilégio para poucos: Barbarito Torres e Ignácio Mazacote se apresentaram ontem para cerca de 400 pessoas no Grazie a Dio, na Vila Madalena. Para acompanhar, alguns mojitos. 




Apresentação durou quase duas horas

E Barbarito, Ignácio Torres e seus convidados no palco se divertiram tanto quanto o público

Para acompanhar, mojito
A hora mais triste: a despedida

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Quinta-feira, Março 24, 2011

Mal entendido

Outro dia, disse que ia ao jogo de futebol com três ou quatro amigos. Partida marcada para sábado. Achou que como já estava dito, iriam ligar horas antes para marcar o ponto e hora do encontro. O telefone não tocou e viu a vitória do seu time pela televisão. Quando o segundo gol foi feito, lá estavam seus amigos comemorando na arquibancada do estádio. Ficou puto e reclamou. Mas teve que ouvir que algumas coisas, só algumas, precisam ser combinadas com um pouco de antecedência.
Dias antes avisou a namorada: "vamos ao cinema". Mas não definiu a data, nem disse à garota o filme que iriam ver. Chegou o domingo. Três da tarde. Pegou o telefone para avisar que a pegaria em uma hora para ver o filme daquela atriz que ela gosta. E ficou irritado com a resposta. "Não posso. Combinei com uma amiga de tomar um café. Pode ser mais tarde?". Ele retrucou: "Pô, mas eu não te disse que a gente ia ao cinema?". Disse sim, mas não deu a data e muito menos o horário. Ela não tem bola de cristal.
Não entendia tanto mal entendido e a razão de ser tão mal interpretado sempre. E até hoje não entende. Afinal, é um cara de palavra. Costuma fazer o que promete. O erro, dizem toda vez, é que esquece sempre que em dias como estes falar é muito pouco. As pessoas andam desconfiadas. Querem tirar a prova, querem ações que comprovem.

Terça-feira, Março 22, 2011

A rosa do Magal

"Magal, me dá uma rosa?", arrisco ali do gargarejo. Ele sorri. Balança a cabeça para cima e para baixo. Escolhe a flor (vou acreditar que era a mais bonita) e lança em minha direção. Alguém tenta roubá-la. Não deixo. "Essa é minha", reclamei.

E a flor, a mais bonita de todas, está no meu quarto. Ao lado da cama, secando lentamente. Mas quero que ela permaneça sempre assim. Pensei em colocar no congelador. Minha vó vai desmaiar quando a ver. "Menina como você conseguiu?", irá perguntar encantada. E a mulherada, de bom gosto como eu, terá a inveja eternizada, como a rosa. Sidney Magal, com seus 58 anos declarados, é sedutor. Bonito mesmo. Vamos ao show de ontem:

Casa lotada. Mulheres e homens, jovens e velhos se espremem para assistir a apresentação de Sidney Magal no pequeno palco do Rey Castro, na Vila Olímpia, zona sul da capital. Acenando e com sorriso escancarado, ele inicia a apresentação que dura só 1 hora. Pouco para mim e para uma senhora com seus 70 anos, que emocionada grita, sacode as mãos e transpira quando, à meia-noite, ele sobe no palco. Sozinho. Sem banda para acompanhar.

"Se te pego com outro, te mato. Te mando algumas flores e depois escapo". É playback, mas o público parece não dar a mínima. E Magal canta junto e alto. Ele dança, gesticula, lança olhares sedutores para a mulherada durante a apresentação. Diz lamentar não estar com os músicos no palco. "É que o palco é muito pequeno", justifica. Depois, reclama educadamente da falha em uma ou duas caixas de som. Sorri. Pede perdão. É perdoado: "Lindo", berram as mulheres. "Eu te amo", gritam os rapazes que acompanham suas namoradas.

Magal usa um blazer cinza com estampa de penas de pavão. A calça é social e preta. Os cabelos balançam a cada movimento. Ele é um charme. "Você quer beber alguma coisa, mãe?", diz o rapaz para a senhora de 70 anos. "E eu preciso beber alguma coisa? Já tô maluca!", responde.

E teve Sandra Rosa Madalena, Haja amor, Me chama que eu vou e até Tanajura. E então, rápido assim, o show acaba. Pontualmente uma hora depois. Ele se despede, diz que se divertiu mais que o público. Eu seguro minha rosa. Peço uma Piña Colada no balcão. Depois, ganho uma cerveja Cerpa. O DJ toca Shakira. Mas depois de Magal, tudo perde a graça, até dançarinos latinos de camiseta preta que marca seus braços fortes. Pago a conta.

Falando nisso, meu amigo Gilberto Amendola fez uma entrevista incrível com o Magal para o Jornal da Tarde. Dá uma lida: http://blogs.estadao.com.br/jt-variedades/tag/sidney-magal.

Em tempo: Obrigada Carol pelo convite. Você sempre me proporciona momentos maravilhosamente estranhos.

Quinta-feira, Março 17, 2011

Homem bonito dá uma preguiiiça

Homem bonito dá uma preguiiiça. Daquelas que me fazem desistir de qualquer aproximação. Pegar a bolsa e ir embora. Sozinha. É que homem bonito não faz esforço. Afinal, para que se esforçar se ele já foi abençoado com a graça divina da beleza. Homem bonito acha que não precisa te convidar para dançar ou puxar um papo na balada. Afinal, ele é bonito. Então, se você estiver interessada, “que venha até aqui, oras!”. E se você se fizer de durona, o azar é só seu. O mundo moderno está repleto de mulheres decididas que vão à luta e chamam o bonitão para bater um papo.

Mas se você é dessas mulheres do mundo moderno, prepare-se para a decepção: 1) ele só fala nele e no quanto ele é demais. 2) ele só fala no quanto você é sortuda por ter a chance de passar alguns minutinhos s ao lado dele. 3) ele é lindo, mas não fala coisa com coisa e parece até um pouco esnobe. 4) ele não fala. “Para que falar? Eu já sou bonito”. E ainda faz aquela cara de que não está dando a mínima para todo o blábláblá que sai da sua boca. Homem bonito não faz questão de ser simpático. Já está sendo bem legal em te dar atenção. E a fila, quando você olhar para trás, é grande. “Não gostou? Tem quem goste!”

Ele sabe que pode dizer qualquer abobrinha. Que gosta do Maluf e gasta R$ 1.000 numa noitada na Vila Olímpia com os amigos. Que ouve axé e fica horas na academia malhando em frente ao espelho. E, mesmo assim, muitas mulheres vão se estapear para conseguir o número do celular – que para ele é uma esmola – e quem sabe, ter a sorte de um segundo encontro.

O homem bonito simplesmente cruza os braços por trás da cabeça enquanto você que quer ter um desses no currículo, faz sozinha todo o esforço para ser inesquecível e para agradar. Porque ele, ah ele é bonito e não precisa de nada disso.
Agora, tente lembrar do restaurante mais legal que alguém já te levou. O papo mais engraçado, o presente mais elaborado, o assunto mais inteligente, aquele agrado sem data marcada, a transa mais gostosa... com certeza veio de um homem não tão bonito assim.

Terça-feira, Janeiro 25, 2011

No Quintal do Paraíso

Eu ouvia meu nome sendo chamado por um coro de cinco ou seis vozes na beira da praia. Não enxergava. Passava da meia-noite e estava muito escuro. E eu já não estava no meu estado normal. Em média, se leva uma hora e meia de barco entre Paraty e Pouso de Cajaíba. No meu caso foram seis horas, uma garrafa de Catuaba e meio litro de Dreher. Sem contar o bate-papo insano. Por isso eu já não via quem me esperava com tanta clareza.

Os marinheiros da pequena embarcação - chamada Onda Azul -, não dormiam há duas noites. O movimento no feriado de fim de ano aumenta muito, mas a viagem só compensa se o trajeto for feito com pelo menos 10 passageiros. Naquela noite eram seis. Quatro cariocas, eu e um outro paulistano que iria, assim como eu, encontrar os amigos em Pouso. Ficamos três horas esperando possíveis turistas aparecerem. Eles não vieram, e a âncora foi levantada pra lá das 21h.

Nenhuma luz no barquinho. “Mas não é perigoso?”. “Que nada, a gente conhece esse mar com a palma da mão”. “Mas e se algum barco estiver vindo em nossa direção? Ele não vai nos ver”. “Aí já era. Mas fica tranqüila”, respondeu Léo, um dos barqueiros. O outro se chama Adriano.

Sóbria não dava. Enquanto os cariocas dormiam no barco, meu novo amigo paulistano tirou da mala uma garrafa de Catuaba. As goladas eram grandes. Animados, os barqueiros acenderam um baseado e retiraram de uma sacola uma garrafa de Dreher. “Esse aqui é o nosso energético. Só assim para ficar acordado”. Eu precisava beber.

Três horas de percurso. Duas horas depois do combinado. Desci da embarcação feliz. A noite estava quente e o céu estrelado. A areia da praia era grossa e fofa. O mar parecia calmo e tinha ondas pequenas. Meus amigos sorriam. Um abraço coletivo. “A gente trouxe cerveja para você. Mas não vai precisar. Você já chegou pronta.”
Um ano que acabou assim não pode ter sido tão ruim.

Domingo, Dezembro 26, 2010

O ano que começa e as promessas que não se realizam

Depois de toda a comilança do Natal e os quilos que acumulei nos últimos meses por conta da fome exagerada e das muitas cervejas para comemorar qualquer coisa, é chegada aquela hora de repensar e avaliar o ano que está no fim. O motivo, dizem, é não cometermos os mesmos erros nos próximos 12 meses ou 365 dias.
Quem foi que teve essa ideia "genial"? E o que faz com que as pessoas levem esse assunto tão a sério a ponto de anotar em suas agendas ou caderninhos os pontos positivos e negativos dos dias que passaram só para descobrir que, mais uma vez, fizeram tudo o que não podiam fazer. E, é óbvio, ficarem arrasadas.
Isso porque ninguém faz uma ou duas resoluções para o ano que se inicia. As pessoas prometem coisas impossíveis ou que serão esquecidas tão logo os pulinhos nas ondas terminem e os caroços das uvas tenham sido guardados na carteira. Elas não se contentam em criar metas que podem virar realidade. Exageram e prometem o que não depende delas. Dizem que conseguirão ser promovidas, encontrar um grande amor, viajar para a Europa e Ásia no primeiro semestre, ganhar na Mega Sena, ligar para a mãe toda a semana, não discutir com o chefe, tomar menos café, correr, entrar na academia, beber menos, ir mais ao cinema, ler três livros por mês, não chegar atrasado nos compromissos.
E tudo isso para... no fim do ano lembrar que esqueceu de todas as promessas ou que foi incompetente para realizar ao menos uma.
Eu só tenho uma resolução para 2011: não prometer o que não posso ou não quero cumprir.

Domingo, Outubro 10, 2010

Expresso Turístico de Paranapiacaba

Com cerca de 1.200 moradores, a Vila de Paranapiacaba, em Santo André, virou roteiro turístico. O lugar tinha tudo para ser bonito, mas está abandonado. A vila inglesa ainda conserva a neblina e a arquitetura de fim do século 19. Agora, tem também o expresso turístico. Quem sabe o prefeito de Santo André, Aidan Ravin, se anima e cumpre as promessas feitas durante campanha.




PARANAPIACABA GANHA EXPRESSO TURÍSTICO

Para o escritor Ignácio de Loyola Brandão descer do trem em Paranapiacaba, em Santo André, foi refazer a “viagem mágica” prometida pelo pai há mais de 40 anos, quando eles ainda estavam sentados em uma das poltronas da composição. “Recuperei toda aquela viagem. Só faltou meu pai aqui. Ele era apaixonado por ferrovia”, disse nesta sexta-feira, 16, depois da viagem inaugural do Expresso Turístico Luz-Paranapiacaba.

Erguida para abrigar engenheiros e operários ingleses que trabalhavam na primeira ferrovia de São Paulo, a vila histórica de Paranapiacaba conserva a neblina característica daqueles tempos. Mas a vila está decadente. Cerca de 1.200 pessoas ocupam casas que estão quase caindo, com estruturas aparentes, paredes de madeira se desfazendo. O sistema de energia é antigo e qualquer vento deixa a vila às escuras.

“A decadência também tem seu charme”, romantizou o escritor. Não para quem vive ali, onde não há mercado, farmácia ou açougue. Emprego também é coisa rara. Grande parte da população trabalha em atividades ligadas ao turismo. E é por isso que a chegada do Expresso Turístico Luz-Paranapiacaba recebeu aplausos.

“A estrutura da vila está na UTI. Falta de tudo aqui. Esperamos que desse trem desçam turistas, dinheiro e investimentos”, disse a artista plástica Receli Rosa, de 48 anos.

A escolha de Paranapiacaba para ser o terceiro roteiro do Expresso Turístico – Mogi das Cruzes e Jundiaí já fazem parte do programa – levou em conta, segundo o secretário adjunto de Transportes Metropolitanos do Estado, João Paulo de Jesus Lopes, a importância cultural e histórica da vila. “É o terceiro e mais esperado destino. A vila é candidata a patrimônio cultural da humanidade. O desenvolvimento de São Paulo passou por aqui”, disse. Além da linha ferroviária e da arquitetura, há muitas trilhas na vila.

Lopes acredita que a prefeitura de Santo André investirá mais na vila depois do expresso. O prefeito da cidade, Aidan Ravin (PTB), chegou a dizer no palanque que quer transformar Paranapiacaba em uma “Campos do Jordão”. Minutos depois – longe do microfone –, assumiu não ter feito investimentos na vila. “Falar em promessa e falar em transformação é diferente. Nesse período a gente teve que observar a cidade, arrumar a cidade. Agora vamos fazer uma força-tarefa para dar andamento na documentação de compra da vila”, justificou Aidan. Ele disse ainda que, com a chegada do trem, reforçando a vila como ponto turístico, será possível “trazer mais investimentos”.

A prefeitura é dona de todas as casas. Os moradores pagam R$ 40 de aluguel por mês. O valor baixo não tem servido de atrativo. “As casas não podem ser reformadas. Não podemos abrir nenhum tipo de comércio e estamos longe de tudo”, disse a moradora Suzana Cristine Yoko Hemako, de 34 anos, há 7 em Paranapiacaba.

MAIS SOBRE A VILA:

* Criada para abrigar operários ferroviários da São Paulo Railway, a Vila de Paranapiacaba, em Santo André, virou roteiro turístico da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A cada 15 dias a partir deste domingo (19) um trem da década de 1960 movido a diesel vai partir da estação do Luz com destino à vila histórica.

* A composição tem capacidade para 174 passageiros e parte pontualmente às 8h30 depois de um apito de aviso dado pelo maquinista. A viagem tem duração de 1h30 com direito a uma narração explicativa sobre os principais trechos por onde passa o trem.

* A vila férrea com arquitetura inglesa do século XIX é considerada patrimônio histórico nacional. Entre as atrações está o relógio da estação de trem. Ele foi construído em 1989 e segue os padrões do relógio Johnny Walker, de Londres. É o único monumento que restou após o incêndio na estação de Paranapiacaba.

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/trem-luz-paranapiacaba-a-partir-de-domingo/




Com André Vieira, na 1ª viagem do Expresso Turístico. Só imprensa e convidados



Fim da linha. Chegamos à Vila







Terça-feira, Agosto 17, 2010

Pa-Pum

Pergunta: Com quantas mulheres você já saiu?
Resposta: Com todas que eu quis, menos você.

Domingo, Julho 25, 2010

Todas as histórias num vagão

Ouvir o bate-papo das pessoas nos vagões do metrô é um dos meus passatempos prediletos. Em poucos minutos, a gente descobre que a moça bonita em pé levou um fora daquele "idiota" do Marquinhos. Tudo porque, ela disse que não queria ficar naquele chove e não molha.
Ou ainda descobre que aquele cara de camisa meio justa acordou cedo para procurar emprego. Ele odeia roupa social e... tadinho! Está numa má fase tão grande que acaba sempre perdendo a vaga porque mora longe do escritório e ainda por cima não tem experiência.

Hoje foi a vez de eu conhecer a Élida. Na plataforma do metrô, uma menina de 18 anos aguarda a chegada do trem. Está sozinha. Maquiada, com botas de cano alto e salto fino e uma blusa com estampa de onça. A composição para e abre as portas. Ela entra e senta ao lado da janela. Chama Elida. É-L-I-D-A, soletra calmamente para um cara branco, meio gordinho de terno e gravata.
Ele sentou ao lado de É-L-I-D-A e puxou papo. Eu, com o caderno Aliás do Estadão nas mãos, não consegui disfarçar meu interesse pela conversa no banco ao lado. "Olá. Mas que dia mais gostoso para passear", diz o homem. A moça olha ao redor. Sim, era com ela que o engravatadinho estava falando.
"Ah. Está sim". E depois, ela disse algo que eu não consegui entender. Falou baixinho como se estivesse com vergonha daquela nova amizade. E depois: "terminei meu namoro. Estou procurando emprego, mas está difícil. Tive até que voltar para casa. Meus pais é que estão sustentando minha filhinha". Eu nunca tinha pensado que um "que dia gostoso para passear" fosse a senha para que uma pessoa contasse toda a vida para um desconhecido. Vou começar a usar esta frase.
Tão interessado quanto eu na vida alheia, o homem responde. "E por que você terminou o namoro?" A verdade é que É-L-I-D-A descobriu que o pai de sua filha "estava mexendo com umas coisas erradas". Comprou casa e carro muito rápido. E ela nem sabe como ele conseguiu tanto dinheiro. No começo, ainda achou que era o lucro da adega que eles tinham montado em sociedade com um irmão do seu namorado. Depois, ainda por cima, descobriu que o pai de sua filha tinha roubado o próprio irmão e aí "foi demais" para ela.
Arrumou as coisas e voltou para a casa dos pais. "Não quero mais contato. Sou uma pessoa direita. Fiquei em estado de choque quando soube disso tudo", disse ela. O homem de gravata também deve ter ficado em estado de choque. Ele só conseguia responder: "nossa, que pesado!" e "nossa, que pesado!"
Para dar adeus ao baixo astral, ele propôs um encontro num dia desses na semana. "A gente podia tomar uma cerveja para relaxar. Que tal?". É-L-I-D-A aceitou com um sorriso. Ele passou o número do celular para ela. A operadora é TIM, explicou. Anotou o dela. Antes de descer, na estação Belém, deu um selinho na moça, que pareceu constrangida.
E então, o engravatado de gel no cabelo saiu do vagão e subiu as escadas. Ela pegou o celular e ligou para uma amiga. "Véio. Tá uma droga o metrô, vou me atrasar um pouco. Mas pelo menos conheci um bonitão aqui no vagão, véio!"

Quarta-feira, Julho 21, 2010

"É puta sim"

Sexta-feira. Madrugada. Bar. Entre uma cerveja e outra vejo um amigo parado na calçada, com um cigarro entre os dedos e num papo divertido com um homem cabeludo. Eles pareciam amigos. Mas a possível amizade durou menos de 15 minutos.
A amizade durou até uma mulher, vestindo uma legging preta brilhante e apertadíssima parar na porta do bar. Ela pegou o celular e discou para alguém. "Ah... essa aí é puta. Quanto será o programa", comentou meu amigo. "Não. Não é não", respondeu o cabeludo. "Mas como é que você sabe? É puta sim", insistiu o sem noção. "Não é não. Ela tá comigo", respondeu quase sem voz o cara dos cabelos longos.
O constrangimento não parou aí. É que às vezes, pedir desculpas é difícil. A gente quer dizer uma coisa, mas quando a boca abre saem as palavras mais desaforadas. "Puta merda. Você não tá falando sério! É que, você sabe, eu venho sempre nesse bar e nunca tinha visto você e sua mina por aqui antes. E sempre tem puta nos lugares, né?", tentou consertar. Mas antes mesmo do cabeludo conseguir responder, ele completa: "Ainda bem que você me falou que a mina tá com você. Senão eu ia perguntar para ela quanto é o programa. Valeu."
Muito calmo, o insultado deu um sorriso, abraçou a garota e a escondeu no fundo do bar.

Segunda-feira, Abril 12, 2010

Meio isso, meio aquilo

"Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são pratos tradicionais da nossa cozinha..."
Bar ruim é lindo, bicho. Essa é uma das minha crônicas favoritas. Mais do Antonio Prata aqui.

Quinta-feira, Março 11, 2010

A semana

Para começar. Domingo teve Oscar. E vestidos comentados por todas as revistas de fofoca.
Segunda-feira foi dia da Hebe voltar com seu programa no SBT. Para comemorar seu retorno à TV depois da descoberta do câncer, seu aniversário e o Dia Internacional da Mulher, a apresentadora reuniu no auditório apenas amigos. E eram muitos. E eram até globais, como a Xuxa. No palco, Ivete Sangalo, Ney Matogrosso, Leonardo e Maria Rita. Mas o mais, mais, mais legal foi a entrevista que ela fez com o rei Roberto Carlos. A melhor entrevista do ano. Teve cantada, elogios e até choro no finalzinho.
Terça, quarta e quinta, muito trabalho, algumas cervejas, saudade e porcaria na TV. A exceção fica com o programa do Ronnie Von, que é sensacional.
Amanhã, mais trabalho, cerveja e alguma diversão.
Sábado, trabalho.
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